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24.7.08

Tirinha #11, acho



E mais dois desenhos:
(clique para ampliar)

20.5.08

O catador de promessas

Um poema escrito depois de uma aula do cursinho

Quase por milagre

entra,
o catador,
de papelão
puxa,
quilos,
e quilos
alimentado,
apenas,
por um pão

também entra a Mercedes
vem voando! Vooosh! Veloz!
pudera!
movida com o pão de mil catadores

colidem
papelão e dinheiro tornam-se um só
primeira,
e última vez,
que viu um carrão por dentro

finalmente teve seu momento!
nos jornais: mais um anônimo morreu.

_________________________________________

Não foi uma inspiração consciente, pois eu ainda não li, mas quem leu, pode lembrar da Macabéia de A hora da estrela

16.5.08

Minha terra não tem mais palmeiras

Espero que o poema por si só, baste.

Minha terra
não tem mais palmeiras
mas campos de soja

não mais habitam
minha terra
agora lá, apenas marionetes

Não permita Deus que eu morra,
de dengue, de chagas, de bala
perdidos
todos vagamos
seja voando ou a pé
sem rumo

minha terra só existe
no mito da mulata puta
sambando em baixo da palmeira
espiada pelo sabiá que canta o que a Baiana tem!
o Sabiá cobra a mulata por hora
50 dólares pra americano
30 euros pra europeu

Minha terra
não tem mais palmeiras,
nem sabiá
mas o camelô vende um radinho chinês baratinho

Gustavo Ganso

13.4.08

Pintando uma tela 2: Fundo

Chegou o momento de colocar cor no quadro. Para o céu usei a mistura de preto com branco, pois o céu não é de uma cor uniforme e com o preto ainda crio uma atmosfera sombria.

Para o chão, amarelo-ocre e verde-musgo, também misturados na tela.





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Depois de seca poderei cobrir o boi e o homem.


Veja também: Pintando o rascunho da tela.

2.4.08

Dois poemas

O dragão do sertão

Pega o capacete dum ouro brilhante
lustrada, a armadura revela músculos
presa ao cinto,
espada com rubi cintilante
e sai do castelo,
montado à cavalo,
enfrentar o dragão

e seria tudo perfeito...
se tivesse:
capacete,
armadura,
músculo,
espada,
rubi,
castelo
e dragão

e não fosse, na verdade:
chapéu,
casaco,
fraqueza,
facão,
ferrugem,
casebre
e sertão

o sertão é um dragão
devora a dignidade de quem o enfrenta
homens e mulheres lutando uma guerra cujo fim já é definido


O soneto do imbecil

Lá vem ele, o pitbull humano
com seus dois metros de pura ignorância
sustentando um caráter leviano
movendo a engrenagem da intolerância

a única linguagem que quer
é a dos socos e pontapés
em casa, imbecil sem proveito
em bando, imbecil violento

a família o fez assim
ensinou a valorizar
trabalho, estudo, ser preconceituoso

estudo e trabalho não estava a fim
mas hoje pode afirmar
qu'é trabalhor, estudante e montruoso

24.3.08

Fazendo arte

Embarcando numa onde de pintura, eu fiz estes dois quadros. O primeiro é mais antigo, mas o segundo é de 2007.

Clique nas imagens para ampliar.


CÃO CHUPANDO MANGA



Este quadro foi feito no mesmo dia do ataque às Torres Gêmeas, é surrealista/expressionista, a figura no centro é na verdade um crânio de boi estilizado e a bola laranja é a "manga".



CARNE-SECA




Esse outro já é mais uma crítica social, mostra o sertenajo ao fundo e um cavalo moribundo em primeiro plano, a carne-seca se refere não só à cultura nordestina como também ao animal no chão e ao sertanejo que sofre com a seca. Também expressionista.




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7.10.07

Poema

Bem vindos à Belíndia

Bem vindos à Belíndia
metrópole das elites
sertão dos coronéis
onde um sorriso tem preço
e um pão vale mais qu'ma vida
não se preocupem, caso ocorra um assalto -e irá-
estaremos seguros atrás de vidros blindados
e muralhas de indiferença
todos os mendigos são apenas atores para vossa diversão
é tudo apenas diversão!
não precisam alimentá-los, não sentem fome nem frio
mas se vossos filhos quiserem espancá-los...
à vontade

À sua direita o morro
habitat natural dos excluídos
parece um lugar ruim para morar, mas se o fosse
já teriam saído dali

E quando cansarem de ganhar dinheiro,
à esquerda fica nosso belo templo
repleto de lojas e artigos caros da moda,
esperamos que consigam preencher vosso vazio existencial

não, não, não
aqui não é Nova Iorque
mas melhoramos nossa imitação a cada dia que sobrevivemos
somos subnutridos, pobres e ignorantes
mas somos penta!

8.8.07

Poesia

Agora estou numa onda de poesias, por isso tem uma leva delas.

o bom cidadão

o bom cidadão tem uma familia
o bom cidadão tem um emprego
o mal cidadão faz greve

o bom cidadão verbas desvia
o mal cidadão reclama
,mas
o bom cidadão tem o imposto pago

o bom cidadão nao acredita em preconceito

o mal cidadão é à favor da paz
o bom cidadão tem uma arma em casa

eu você ele é morto pelo bom cidadão

o mal cidadão liberta
o bom cidadão é um assassino


eu sonhava uma noite, ou não
e assim que a vi, bela ninfa
senti levar embora meu coração
pela estrada que não finda

enquanto a sigo é que reparo
dona da pele mais macia
com um doce olhar me feria
quando a alcanço digo sem amparo

se és tão perfeita quanto a vejo,
ou são as lentes do amor
ou és o anjo que procuro em meus sonhos

se és a musa de Dante
me auxilia, me inspira
traz a mim os melhores versos


De manhã

Hoje o empresário acordou
teve seu café na cama
despediu-se da mulher e filhos
dirigiu o cadilac até sua empresa

o operário acordou cedo
tomou uma média na padaria
filho e mulher ainda estavam dormindo
pegou um ônibus para o trabalho

um mendigo não acordou
frio e fome o mataram
a noite passada
tudo bem, era só um mendigo

1.11.06

Conhecimento é o caminho para a liberdade


O aprendizado e a vida estão intimamente ligados, uma vez que ela será um constante acúmulo de conhecimento e também de aplição. Acumulamos uma carga enorme de informação, e, infelizmente boa parte dela simplesmente desaparece, não pela inutilidade, mas por não ser valorizada. Desse modo, as lições aprendidas deixam de ser aplicadas.

Assim que nascemos, sedentos pela descoberta do mundo, criamos as fantasias, vivemos as desilusões, embora durante toda nossa vida lutamos pela verdade, mesmo quando esta nos é negada, ou sabendo que tantos foram perdidos em seu nome.

Durante todo o curso da História, dezenas de teóricos, políticos e filósofos deram diversas interpretações à palavra liberdade. Passamos pelos regimes monárquicos, totalitários e democratas. Nosso país tornou-se "independente", depois uma República, passou por revoluções, ditaduras, até chegar no estado atual.

Nossos pais libertaram-nos das garras da ditadura, o sonho da liberade alçava vôo, no entanto, como se fosse uma porção de lixo, não valorizamos esse espírito, essa atitude, e nos deixamos dominar pelas elites, e como se fosse um brinquedo antigo. Trocamo-la por uma quinquilharia importada. Hoje nos preocupamos em votar no menos pior. "Não há problema em ser dominado desde que não mexam em nossa conta bancária" , é oque pensamos.

Para termos uma sociedade livre e cooperativa, sem autoridades inescrupulosas, não deixemos de recordar o passado. Como fomos dominados e como nos libertamos. Valorizemos o conhecimento, o pleno entedimento do funcionamento da atual sociedade, a dominação das massas pelas elites; fornecendo o conforto enquanto retiram sua autonomia.

Portanto, devemos ensinar à futura geração o valor do passado, pois assim não se deixarão dominar como nós permitimos. O conhecimento é a trilha para uma sociedade livre. O conhecimento de que é possível viver sem uma autoridade, sem um carrasco à nossa espreita!

13.10.06

Brasil: a eterna colônia

Faço minhas as palavras de meu amigo:


A história do Brasil poderia muito bem começar nos livros com: "Era uma vez uma terra muito distante..." e assim dar início a nossa saga de povo que nunca desisti. Nunca desisti de ser a eterna colônia dos trópicos.

O Brasil continua a ser a terra sem lei que era há mais de 500 anos atrás, vemos dia após dia que aqui o direito reside na força e ponto final. A devassidão na política comprova a falência deste arremedo de Estado que exite desde a chamada "Proclamação da República". A liberdade é uma idéia e não uma realidade. O conceito (volátil) de Democracia soa como música nos ouvidos do Ocidente, que se orgulhará até o fim dos tempos por ter derrotado os totalitarismos fascistas e comunistas e tê- los substituídos por Estados fracos e corrompidos.

O Brasil não foge à regra. Também aqui vestimos a máscara carnavalesca da tão louvada Democracia, que convida gentilmente TODOS os seus cidadãos a votarem e servirem às Forças Armadas, não sendo possível recusar tão belo convite, pois não queremos, de maneira alguma, fazer desfeita. Não queremos desapontar aqueles que nos tiraram das trevas da ignorância e nos mostraram o caminho da civilização perfeita. Que empenham- se todos os dias a nos ensinar como é vantajoso os empréstimos do Banco Mundial, e como é intere$$ante este negócio de Democracia. Não! Não! Jamais desapontaremos ninguém, pois como dizem lá fora, os brasileiros são um povo "muito receptivo e alegre". É esta alegria que atrasa a história do país em 500 anos.

O IDH é vergonhoso, a carga tributária é a maior do mundo, o PIB não chama a atenção dos poderosos, a corrupção beira o surreal, mas mesmo assim somos considerados um líder do Terceiro Mundo (ou seria do Quinto Mundo?), ou seja, somos a "elite da pobreza". Continuamos ano a ano a ceder todos os cérebros do país às universidades estrangeiras e para as multinacionais da Europa, pois ainda somos a fonte de matéria- prima para o mundo civilizado, como antes.

Bem que poderíamos voltar a ser uma colônia oficial de nossos tão queridos e amados irmãos portugueses, pelo menos teríamos o status de europeu e eles administrariam esta terra do "Era uma vez", que arrogantemente se autodenomina República Federativa do Brasil, e então poderíamos voltar aos tempos do grande império luso- brasileiro e por fim, estaríamos isentos de todas as obrigações enfadonhas de um Estado de verdade: votação consciente, responsabilidade social, força de vontade, espírito de coletividade e outras coisas mais que atualmente nos chateiam tanto.

Quem não concorda que a nossa função histórica foi sempre servir as metrópoles mundiais, que atire o primeiro pedaço de Pau- brasil!

João Vitor P. P. Romão

Outubro de 2006

5.10.06

Cortando o mal pela raiz




O desemprego deveria ser um problema de resolução prioritária, uma vez que é um dos principais causadores do abismo entre as classes sociais e responsável por uma considerável parcela da violência.
Existe um espaço vago entre as elites e os desempregados causada pela exploraçãosobre os trabalhadores que são desvalorizados e perdem forças diante da máquina capitalista. Não são raras as demissões em massa atualmente.
Desempregado, desamparado e oprimido, vendo sua vida declinar rumo ao fundo do poço, o indivíduo se desespera, recorrendo muitas vezes à prática de delitos para suprir suas necessidades.
Temos que auxiliar o desempregado e qualificá-lo, mas não basta termos todos empregados, é preciso valorizar a mão-de-obra brasileira com saalários que garantam além da subsistência, o lazer do trabalhador.
Se quisermos resolver os problemas de nosso país, devemos começar pelo desemprego que é o gerador de tantos outros, ou seja, cortando o mal pela raiz.