27.1.08

Direto da F.a.r.r.a. pra você!



Uma cueca amarela (ou seria bege?), uma ninja cantando e respondendo perguntas... um moleque "berrando" (na verdade era o único com audio bom)...e outras personalidades bizarras...

Apenas uma prévia de nossas vozes e o futuro do projeto...


Participação especial:CARMINA

Curioso para saber quem é?...

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  • 7.10.07

    Poema

    Bem vindos à Belíndia

    Bem vindos à Belíndia
    metrópole das elites
    sertão dos coronéis
    onde um sorriso tem preço
    e um pão vale mais qu'ma vida
    não se preocupem, caso ocorra um assalto -e irá-
    estaremos seguros atrás de vidros blindados
    e muralhas de indiferença
    todos os mendigos são apenas atores para vossa diversão
    é tudo apenas diversão!
    não precisam alimentá-los, não sentem fome nem frio
    mas se vossos filhos quiserem espancá-los...
    à vontade

    À sua direita o morro
    habitat natural dos excluídos
    parece um lugar ruim para morar, mas se o fosse
    já teriam saído dali

    E quando cansarem de ganhar dinheiro,
    à esquerda fica nosso belo templo
    repleto de lojas e artigos caros da moda,
    esperamos que consigam preencher vosso vazio existencial

    não, não, não
    aqui não é Nova Iorque
    mas melhoramos nossa imitação a cada dia que sobrevivemos
    somos subnutridos, pobres e ignorantes
    mas somos penta!

    O sorriso

    sorria

    o sorriso é a expressão

    mais interessante, humana
    para alguns mera distração

    para mim vários significados
    tímidos por timidez
    ou por felicidade, escrachados

    cuidado leitor, o sorriso em servidão
    serve tanto para a conquista
    quanto serve à rendição

    e sem querer ser chato
    mas o sorriso tem também maus usos
    sátira, sarcasmo e escárnio

    de qualquer maneira é válido
    basta que brote sincero
    e não da vontade morta

    mas como diz o ditado
    os olhos, a janela da alma, pois bem
    eu digo, o sorriso? a porta

    é como uma explosão
    que só cala-se com
    o silêncio de um beijo


    Olhos fixos na entrada

    Olhos fixos na entrada
    ela não virá hoje
    eu sei
    mais um dia que passará como os outros

    olho pela janela
    em direção ao caminho
    nada, deserto
    ela não virá hoje

    sentado, derrotado
    ouço o doce barulho de seus passos
    na esperança cega de vê-la

    viro-me para a porta
    radiante ela entra!
    hoje valerá a pena!

    8.8.07

    Poesia

    Agora estou numa onda de poesias, por isso tem uma leva delas.

    o bom cidadão

    o bom cidadão tem uma familia
    o bom cidadão tem um emprego
    o mal cidadão faz greve

    o bom cidadão verbas desvia
    o mal cidadão reclama
    ,mas
    o bom cidadão tem o imposto pago

    o bom cidadão nao acredita em preconceito

    o mal cidadão é à favor da paz
    o bom cidadão tem uma arma em casa

    eu você ele é morto pelo bom cidadão

    o mal cidadão liberta
    o bom cidadão é um assassino


    eu sonhava uma noite, ou não
    e assim que a vi, bela ninfa
    senti levar embora meu coração
    pela estrada que não finda

    enquanto a sigo é que reparo
    dona da pele mais macia
    com um doce olhar me feria
    quando a alcanço digo sem amparo

    se és tão perfeita quanto a vejo,
    ou são as lentes do amor
    ou és o anjo que procuro em meus sonhos

    se és a musa de Dante
    me auxilia, me inspira
    traz a mim os melhores versos


    De manhã

    Hoje o empresário acordou
    teve seu café na cama
    despediu-se da mulher e filhos
    dirigiu o cadilac até sua empresa

    o operário acordou cedo
    tomou uma média na padaria
    filho e mulher ainda estavam dormindo
    pegou um ônibus para o trabalho

    um mendigo não acordou
    frio e fome o mataram
    a noite passada
    tudo bem, era só um mendigo

    26.5.07

    Comunicado à Sociedade (da Ocupação da Reitoria)

    São Paulo, 21 de maio de 2007

    Comunicado a Sociedade São Paulo, 21 de maio de 2007 Os estudantes da USP que ocupam a reitoria desde o dia 03/05, reunidos em plenária, decidiram vir a público prestar esclarecimentos com relação às informações veiculadas na imprensa sobre o movimento, assim como nossas resoluções sobre as reuniões propostas pela reitoria e a Polícia Militar.
    Nosso movimento defende a educação pública contra os ataques do governador José Serra e a conivência das reitorias das Universidades Estaduais paulistas. É por isso que somos contra os decretos assinados pelo governador no início deste ano, que ferem não somente a autonomia de gestão financeira, mas principalmente comprometem o caráter reflexivo e crítico que deve caracterizar ensino, pesquisa e extensão, na medida em que privilegiam as ?pesquisas operacionais? - aquelas que favorecem o lucro privado em detrimento dos interesses da maioria da população. Exemplo claro disto é a alocação da FAPESP na Secretaria de Desenvolvimento, separada das Universidades. Reiteramos que estes decretos vieram agravar o processo de sucateamento da educação pública, já manifestado nos vetos ao aumento de verbas para as Universidades. Ocupamos a reitoria em protesto contra seu silêncio e omissão, para sermos escutados e abrirmos o debate com a sociedade.
    Fomos acusados de ?vândalos? e ?violentos? por termos danificado uma porta. Violentos não seriam os governos que impedem a maioria da população de ter acesso à Universidade Pública, que é elitista e racista por responsabilidade dos mesmos que hoje nos criminalizam? Violentos não seriam os que têm punido juridicamente manifestações políticas, como esta ocupação? Violentos não seriam os que destroem a educação pública e reprimem os que querem defendê-la? Violenta não seria a polícia que reprime, dia a dia, a população pobre, negra, os trabalhadores e os movimentos sociais? Frente a toda essa violência, uma porta não é nada. José Serra nos chamou de ?mentirosos e desinformados? e declarou que a autonomia não foi ferida. É um ataque lamentável, como os que ele mesmo desfere contra o ensino público e que devem ser repudiados pela população. A respeito da gestão das verbas da Universidade, Pinotti em entrevista à Folha de S. Paulo declarou: ?Suponha que haja um remanejamento maluco. Cabe ao governador dizer não.? Isso fere claramente a autonomia, pois deixa a critério do governo o que é ?maluco?. E sabemos que ?maluco? para eles é investir na Universidade Pública, gratuita e de qualidade.
    É falsa a afirmação de que somos contra a transparência das contas da Universidade. Defendemos a publicização de toda a movimentação financeira interna da Universidade, o que também deve incluir as contas das fundações de direito privado, que usurpam o dinheiro e a estrutura da Universidade Pública para beneficiar um punhado de grandes empresas privadas e a burocracia acadêmica. Porém, a mera prestação de contas é insuficiente. A USP já disponibiliza os dados de seus gastos para a toda a população na internet. O Siafem (Sistema Estadual de Controle e Registro de Gastos), ao contrário, não é aberto ao público (é necessária uma senha para acessá-lo, disponível apenas para o Judiciário e o Legislativo). O argumento da transparência é falso, trata-se de uma centralização das decisões e informações. O mesmo governo que se declara a favor da transparência não publicou a previsão e a arrecadação do ICMS dos meses de março e abril, argumento dado para a não definição do reajuste salarial dos servidores. E mais, queremos que o destino das verbas seja definido não somente por uma minoria de professores, como é hoje, mas democraticamente, pela comunidade universitária em diálogo com a população, para que não esteja de acordo somente com os interesses de uma minoria.
    Combatemos a concepção que trata como ?privilégios? direitos sociais inalienáveis, como educação, saúde e previdência. O resultado deste processo é que direitos sociais que deveriam ser garantidos para todos são transformados em mercadoria que só alguns podem adquirir. É por isso que dizemos à população que o discurso do governo ?contra o elitismo da Universidade? é oportunista. Não somos nem ?privilegiados? nem ?corporativistas?. Defendemos a universidade dos ataques que vem sofrendo e lutamos para transformá-la, para que seja de fato pública, tanto em seu acesso e permanência à população que mais necessita, quanto no caráter do conhecimento nela produzido. É por isso que chamamos a sociedade para lutarmos juntos pela real democratização das Universidades Públicas.

    Estão agendadas duas reuniões para hoje (21/05/2007): uma com a reitoria e outra chamada pelo Comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar. Frente a isso, declaramos que:

    1 ? Apoiados por professores, pela Assembléia de estudantes e de funcionários da USP, dentre outros segmentos da sociedade civil, diversas Universidades e movimentos sociais reiteramos nosso repúdio a qualquer punição, seja ela de caráter administrativo ou judicial, contra qualquer integrante do movimento de ocupação da reitoria da USP, sobre o qual recaia qualquer implicação processual em razão deste movimento político.

    2 ? Com relação à reunião com a PM: o que está sendo proposto não se trata de uma negociação. A única negociação possível é com a reitoria. Defendemos a autonomia da Universidade e negociar com a PM seria um ataque a esta autonomia que estamos defendendo. Por isso, não participaremos da reunião e mandaremos apenas representantes jurídicos para entregar oficialmente este comunicado e defender nosso movimento e nossas reivindicações. É importante lembrar que reintegrações de posse com uso de força policial não ocorrem na USP desde os obscuros anos da ditadura militar, quando centenas de pessoas foram presas e torturadas por lutar pela democracia na Universidade e no país. Não vamos compactuar com uma intervenção que reinstitui práticas ditatoriais e, se houver uso da força policial, resistiremos.

    3 ? Com relação à negociação com a reitoria e nossa pauta: sempre estivemos abertos à negociação, por isso aceitamos a reunião proposta para hoje, às 8h30. Esperamos que a reitoria avance no atendimento às nossas reivindicações, que não são somente moradia e autonomia como a imprensa tem veiculado. Temos uma pauta com 17 pontos, que segue em anexo. Esperamos que a reitoria avance com relação à proposta do dia 08/05, já rejeitada em Assembléia Geral do Estudantes da USP, que contou com mais de 2000 estudantes. Como nossas decisões são feitas democraticamente em fóruns de participação direta, a avaliação do resultado desta reunião será feita na próxima Assembléia Geral dos Estudantes da USP, a se realizar no dia 22 de maio, às 18h, em frente à reitoria.

    4 ? Chamamos toda a população a participar das nossas atividades, pois nossa luta é em defesa da educação pública. Haverá um ato público no dia de hoje, às 14h, em frente à reitoria, contra a repressão policial e em defesa da educação pública, para o qual chamamos todos os trabalhadores, estudantes, intelectuais, parlamentares, sindicatos, organizações políticas e movimentos sociais, para defendermos a legitimidade da nossa luta. Será realizada no dia 22/05 a Assembléia Geral dos Estudantes da USP. E no dia 23/05, quando nossa greve se fortalecerá com a entrada de outros setores das universidades, nos somaremos ao Dia Nacional de Lutas em defesa dos direitos sociais, com um ato no MASP (Av. Paulista), às 14h.

    Contamos com o apoio dos que se o opõem à repressão e defendem uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos.
    URL:: http://ocupacaousp.blog.terra.com.br/

    1.11.06

    Conhecimento é o caminho para a liberdade


    O aprendizado e a vida estão intimamente ligados, uma vez que ela será um constante acúmulo de conhecimento e também de aplição. Acumulamos uma carga enorme de informação, e, infelizmente boa parte dela simplesmente desaparece, não pela inutilidade, mas por não ser valorizada. Desse modo, as lições aprendidas deixam de ser aplicadas.

    Assim que nascemos, sedentos pela descoberta do mundo, criamos as fantasias, vivemos as desilusões, embora durante toda nossa vida lutamos pela verdade, mesmo quando esta nos é negada, ou sabendo que tantos foram perdidos em seu nome.

    Durante todo o curso da História, dezenas de teóricos, políticos e filósofos deram diversas interpretações à palavra liberdade. Passamos pelos regimes monárquicos, totalitários e democratas. Nosso país tornou-se "independente", depois uma República, passou por revoluções, ditaduras, até chegar no estado atual.

    Nossos pais libertaram-nos das garras da ditadura, o sonho da liberade alçava vôo, no entanto, como se fosse uma porção de lixo, não valorizamos esse espírito, essa atitude, e nos deixamos dominar pelas elites, e como se fosse um brinquedo antigo. Trocamo-la por uma quinquilharia importada. Hoje nos preocupamos em votar no menos pior. "Não há problema em ser dominado desde que não mexam em nossa conta bancária" , é oque pensamos.

    Para termos uma sociedade livre e cooperativa, sem autoridades inescrupulosas, não deixemos de recordar o passado. Como fomos dominados e como nos libertamos. Valorizemos o conhecimento, o pleno entedimento do funcionamento da atual sociedade, a dominação das massas pelas elites; fornecendo o conforto enquanto retiram sua autonomia.

    Portanto, devemos ensinar à futura geração o valor do passado, pois assim não se deixarão dominar como nós permitimos. O conhecimento é a trilha para uma sociedade livre. O conhecimento de que é possível viver sem uma autoridade, sem um carrasco à nossa espreita!

    13.10.06

    Brasil: a eterna colônia

    Faço minhas as palavras de meu amigo:


    A história do Brasil poderia muito bem começar nos livros com: "Era uma vez uma terra muito distante..." e assim dar início a nossa saga de povo que nunca desisti. Nunca desisti de ser a eterna colônia dos trópicos.

    O Brasil continua a ser a terra sem lei que era há mais de 500 anos atrás, vemos dia após dia que aqui o direito reside na força e ponto final. A devassidão na política comprova a falência deste arremedo de Estado que exite desde a chamada "Proclamação da República". A liberdade é uma idéia e não uma realidade. O conceito (volátil) de Democracia soa como música nos ouvidos do Ocidente, que se orgulhará até o fim dos tempos por ter derrotado os totalitarismos fascistas e comunistas e tê- los substituídos por Estados fracos e corrompidos.

    O Brasil não foge à regra. Também aqui vestimos a máscara carnavalesca da tão louvada Democracia, que convida gentilmente TODOS os seus cidadãos a votarem e servirem às Forças Armadas, não sendo possível recusar tão belo convite, pois não queremos, de maneira alguma, fazer desfeita. Não queremos desapontar aqueles que nos tiraram das trevas da ignorância e nos mostraram o caminho da civilização perfeita. Que empenham- se todos os dias a nos ensinar como é vantajoso os empréstimos do Banco Mundial, e como é intere$$ante este negócio de Democracia. Não! Não! Jamais desapontaremos ninguém, pois como dizem lá fora, os brasileiros são um povo "muito receptivo e alegre". É esta alegria que atrasa a história do país em 500 anos.

    O IDH é vergonhoso, a carga tributária é a maior do mundo, o PIB não chama a atenção dos poderosos, a corrupção beira o surreal, mas mesmo assim somos considerados um líder do Terceiro Mundo (ou seria do Quinto Mundo?), ou seja, somos a "elite da pobreza". Continuamos ano a ano a ceder todos os cérebros do país às universidades estrangeiras e para as multinacionais da Europa, pois ainda somos a fonte de matéria- prima para o mundo civilizado, como antes.

    Bem que poderíamos voltar a ser uma colônia oficial de nossos tão queridos e amados irmãos portugueses, pelo menos teríamos o status de europeu e eles administrariam esta terra do "Era uma vez", que arrogantemente se autodenomina República Federativa do Brasil, e então poderíamos voltar aos tempos do grande império luso- brasileiro e por fim, estaríamos isentos de todas as obrigações enfadonhas de um Estado de verdade: votação consciente, responsabilidade social, força de vontade, espírito de coletividade e outras coisas mais que atualmente nos chateiam tanto.

    Quem não concorda que a nossa função histórica foi sempre servir as metrópoles mundiais, que atire o primeiro pedaço de Pau- brasil!

    João Vitor P. P. Romão

    Outubro de 2006