27.7.08

Uma nova história

Quem é o rei da banca?

Cena um - A história

A - Interrogatório

O pisca-pisca constante da luminária fluorescente torna os três homens de pé em vultos e o que está algemado e nu na cadeira, é mal e parcamente iluminado pelo fio de luz que desce do teto. A sala está praticamente vazia, além dos quatro homens, apenas uma mesa na parede dos fundos compõe a decoração.

-Conta logo! Quer levar outra pancada? -Diz um dos vultos, com voz rouca.

-Não sei do que vocês estão falando...

-É claro que sabe! Foi preso por isso. -Outro vulto.

-Eu não sei... -A voz do homem oscila.

-O Silveirinha está abrindo mais pontos de jogo do bicho?

-...

-Eu vou arrebentar esse cara! -O vulto de voz rouca se precipita em direção ao homem e é segurado pelo segundo vulto.

-Calma. Olha, até eu sei que isso deve ser verdade, então poupe você mesmo, nos dê os detalhes. -O terceiro vulto, até agora calado, veio até a luz: a falta de papada, devido ao parto por fórceps, lhe conferiu o apelido desde criança, Noel.

-Disso eu não sei... Mas se eu disser como eles vão transferir a arrecadação do bolão, vocês me liberam? -O bolão acontecia no fim-de-semana imediatamente posterior ao dia 10 de cada mês quando o povo geralmente já tinha recebido pagamento. Era o período que mais garantia lucro ao bicheiro Silveirinha, isso já era sabido.

-Claro! -O vulto de voz rouca aparece à luz, o Delegado Pacheco, com um sorriso de orelha a orelha e olhos brilhando. –Prossiga.

-Amanhã cedinho, -O homem continua- um carro vai levar todo o dinheiro da casa do gerente para o Silverinha, depoi--.

-Amanhã é segunda! -O segundo vulto retruca. -Por que ficariam guardando o dinheiro? Por que já não levaram o lucro de sábado, ontem ou hoje pro Silveirinha?

-Eu achei estranho também... Mas disseram que era por que o gerente precisava de todo o dinheiro para separar os lotes para as folhas de pagamento.

-A folha de pagamentos dele é bem extensa... –Comentou Pacheco sem tirar o sorriso do rosto. –Quem é esse gerente, onde ele mora?

-Ele se chama Marcelino... De Freitas, mas eu só saberia onde ele mora, amanhã, na hora de transportar a grana.

-E como vão transportar? –Cerqueira, o segundo vulto até agora, aparece, peruca, uma verruga e uma expressão séria no rosto.

-Um sinca verde, quase uma lata velha.

-Certo, certo, essa coisa ta me cansando, já. Leva esse cara de volta para o xadrez!

-Pera aí! Vocês prometeram me soltar! – O homem chorava praticamente.

-Você está é louco se pensa que vou soltar um malandro que nem você só por ter dado umas pistas desencontradas! Acha que eu vou por tudo a perder e deixar você avisar o Silveirinha? Tira ele daqui antes que... –E o delegado levanta a mão na direção do homem, que se encolhe diante da ameaça.

Noel trata de levar o homem ainda algemado e nu, para fora da pequena sala de interrogatórios, dois guardas o recebem e o levam de volta à cela. Voltando-se para os dois que ficaram na sala, recebe a pergunta do delegado:

-E agora? Alguém sabe quem é esse tal de Marcelino?

-Nunca ouvi falar dele. –Responde.

-O pior é que não há tempo para investigar, uma operação oficial exigiria mandados e preparação...

-Que tal uma escuta? Noel insiste. –Poderíamos liberar o cara, ele vai avisar o pessoal do Silveirinha, o seguimos e o pegamos com a mão no ouro!

-Não, provavelmente só iríamos despender esforços, o safado preso não sabe onde mora o Marcelino, disso eu tenho certeza, não teriam contado essas coisas para um Zé qualquer. E é esperto o miserável, ele certamente avisaria o silveirinha de um orelhão ou celular. –Diz o delegado, quase resignado.

-Onde está a ficha do relatório? -Noel, este sim, resignado.

O delegado sorri levemente:

-Esquece isso, Noel, não se preocupe. Não há nada o que escrever, filho. Por que não tira folga o resto desse domingo? Eu e o Cerqueira seguramos o movimento e resolvemos essa história de transporte de dinheiro.



Continua

24.7.08

Tirinha #11, acho



E mais dois desenhos:
(clique para ampliar)

15.7.08

Uma charge

Uma charge mal e porcamente desenhada, que depois eu melhorarei.

(clique para ampliar)

E um desenho inspirado no avatar da Renatcka, do FARRA.
(clique para ampliar)

11.7.08

Só um adendo III


No mesmo dia em que postei o poema (neo)-concretista -?- Fiz esta imagem que eu tenho quase certeza de que seja concretista.


Pra não pensarem que eu estou enrolando. Esta aí uma foto, clique para descobrir o que é:



E para não terem certeza de que estou enrolando, um pequeno texto que talvez vire uma hq.

Ambientação: A megatorre é um grande prédio que abriga cerca de 600 mil habitantes de São Paulo, com amplos andares abertos que chegam mais a parecer quarteirões. A cidade tem no séc 43 cerca de 20 milhões de habitantes, assim não é difícil imaginar que boa parte da população ainda viva no chão, ou bairro baixo como é chamado por alguns moradores mais esnobes da megatorre. Visualmente São Paulo mudou pouco, parece mais moderna com grandes arranha-céus envidraçados, mas também tem uma grande população ainda carente e não servida pela tecnologia milagrosa de robôs e utensílios inteligentes.

A diferença se dá entre a qualidade dos serviços, todos têm comida, mas os mais pobres, comida comum, enquanto que os ricos possuem comida planejada nutricionalmente.

Personagens:

Protagonista: o garoto “Fredo” diminutivo de Godofredo (nome devido à moda de nomes antigos)
Coadjuvantes: os amigos de Fredo, que não precisam de nomes.

Cena um, Dentro:

O garoto está sentado num sofá, assistindo à TV, algo do tipo holográfico, quando a mãe grita da cozinha.

Mãe: Fredo! A geladeira avisou que não tem mais suco de laranja.
Fredo, pensando: Maldita geladeira falante.
Mãe: Por que você não compra um pouco quando voltar da aula de programação? Não se esqueça o número do protocolo.
Fredo: 97123-54, está bem.
Mãe: Vá logo antes que se atrase. Ah! Meu guarda-roupa avisou que está frio. Leve um casaco.

Fredo vai para o seu quarto, notavelmente um ambiente simples se comparado à sala a qual acabara de sair, cheia de aparelhos tecnológicos.

Abre a porta do guarda roupa

Voz robótica do guarda-roupa: Boa tarde querido senhor Godofredo! A temperatura esta tarde é de 17°C recomendo que não saia sem casaco e guarda-chuva.

Um casaco é estendido por um suporte.

Fredo, pensando: Por que eu tenho um guarda-roupa falante?
Fredo: Dane-se!

Fredo sai de casa sem levar nem o casaco nem o guarda-chuva e vai caminhando pela calçada. (embora esteja no interior de um prédio, o objetivo é simular uma vivência quase real da “vida no chão”).

Cena dois, Fora:

Fredo, narrando em off: Pra que controlar dia e noite e até o clima pra simular um frio desses? Não seria então mais fácil usar o clima natural da Terra?

Fredo é interrompido pelo chamado de um amigo.

Amigo: Fredo, você é louco? Seu guarda-roupa não te avisou do frio?
Fredo, desconversando: Deve estar quebrado...
Amigo: Entendo, meu pai me comprou um novo, última geração!
Fredo: Que legal!
Fredo, pensando: Mais um para a sua coleção...
Amigo: Espero que você melhore e possa voltar pra aula.
Fredo: É, eu estive doente.
Amigo: Como? Você bebeu água mineral? Há, há, há, há!
Fredo: Há, há, há, há!
Fredo: Hoje eu não irei, talvez amanhã. Até mais.
Amigo: Até.

Cena três, Afora:

Fredo, narrando em off: O que eu não daria pra beber água mineral ao invés dessas porcarias sintéticas! Na verdade já faz três dias que não vou à aula, dei a pior desculpa possível: estava doente e febril. Como alguém pode ficar doente num ambiente estéril e controlado? Não me interessa.

Enquanto vai narrando, Fredo embarca em um transporte semelhante a um ônibus, desce na parada do anel externo e caminha até a “borda” do andar da torre, onde existem grandes janelas que possibilitam ver a paisagem lá fora. (ver desenho)

Fredo, narrando em off: O anel externo, o lugar menos visitado de toda a torre e também o melhor para se observar a cidade lá embaixo. Vim aqui os últimos três dias.

Fredo pode observar a cidade funcionando, parece pequena de tão alto.

Fredo, narrando em off: Gostaria de viver lá embaixo, ser eu mesmo, sem haver um produto me dizendo o que e como fazer, mas fui criado entre máquinas que fazem tudo por mim. Enfim, não seria nada sem elas.

Pingos de chuvas começam a cair lá fora.

Fredo, com cara de quem acabou de se lembrar: O suco sintético! Bem agora que a chuva começou!

Fredo vai embora correndo comprar o suco de laranja sintético.

A cena se transporta para a cidade no chão. Um cenário de contraste mostra alguns mendigos numa parede pichada e uma mulher com roupas simples em meio a prédios e carros tecnológicos.

A mulher estende a mão tentando perceber a chuva caindo.

Mulher: Seria bom se eu vivesse na megatorre...


FIM

7.7.08

Concretista


Concretismo é um movimento vanguardista surgido em 1950, inicialmente na música e depois passando para a poesia e artes plásticas.

Defendia a racionalidade e rejeitava o expressionismo, o acaso, a abstração lírica e aleatória. Nas obras surgidas no movimento, não há intimismo nem preocupação com o tema, seu intuito é acabar com a distinção entre forma e conteúdo e criar uma nova linguagem.

Durante a década de 1960, poetas e músicos do movimento passam a se envolver em temas sociais, geralmente sem influência na obra, sendo somente uma ligação pessoal. As obras passam a ser mais e mais preocupadas com a inovação da linguagem. A poesia concreta tem em Vladimir Mayakovsky um grande expoente; o poeta russo afirmava que não há arte revolucionária sem forma revolucionária.

Via wikipedia

O poema a seguir tem a tal preocupação com o tema, então não sei se encaixa no concretismo, terei de fundar o neo-concretismo?

27.6.08

Uma breve história do futuro

Mais com carácter experimental, essa história narra o que poderia acontecer após a tradução de um poema num futuro em que tudo é artificial.

Clique para baixar

Ou para quem não quiser, basta clicar nas páginas e esperá-las abrirem:


23.6.08

Tirinha #10


(Clique para ampliar)